Missão cumprida, todos nós aprovados no STCW, ganhamos três dias para curtir o Rio (algumas colegas até espicharam a estadia para quatro dias). Aproveitamos para passear e ir à praia. O ponto favorito da galera foi o posto 9 da praia de Ipanema. No hostel, recebemos orientações e pegamos o ônibus até a praia. Para uma porto-alegrense invicta, "ir à praia" sempre significou pegar um ônibus na rodoviária e encarar uma viagem de não menos que 1h30, para só então vislumbrar o oceano. Então demorei para me acostumar com o fato de ainda estarmos dentro da cidade, porém "na praia".
Ver o oceano sempre me cativou, mas dessa vez fiquei com inveja pelo nosso litoral achocolatado aqui do RS. Ipanema é linda mesmo. Debaixo de umas montanhas verdes, uma praia a perder de vista, mar transparente e com um horizonte repleto de pequenas ilhas. Alugamos um guarda-sol e umas cadeiras, e montamos acampamento.
Eu, gaudéria acostumada com nosso litoral, onde a arrebentação começa a uns 150 metros da praia, e na beira só tem marola, fui encarar dar um mergulho nas aguas cristalinas de Ipanema. A primeira vista, a praia parece não ter onda. Mas não dá nem tempo de o vivente se alegrar. Em Ipanema, a arrebentação das ondas é praticamente em cima da praia, pela geografia do local. Você adentra uns 10m na água e já está com ela pelo pescoço. E quando menos espera, a "praia sem onda" ergue uma parede de água na sua frente, do nada, e quem não está preparado leva um tombo e um caldo. Ah, pra quê! Congelei na beirinha da praia. Meus amigos me chamavam lá de dentro, e eu olhava para aquelas ondas-monstro e fazia que não, que ficaria ali mesmo. E ali fiquei! E ainda assim, deu pra curtir a água, tamanha era a força das ondas.
Sentar para tomar um sol em Ipanema (ou em qualquer praia carioca) é que nem sentar numa versão ao ar livre do Camelódromo de Porto Alegre, ou da 25 de Março em São Paulo. É uma sinfonia de "olha o mate, limonada, refri, cerveja!" "queijo na brasa!" "picolé, sorvete!" "acaí gelado!" "biscoito Globo!" "óculos de sol!" "olha o kibe! esfiha!" e incontáveis outros artigos que desfilam pela praia. De início, achei isso um pouco irritante, mas depois você acostuma e só escuta o que interessa.
Não comprem picolé na beira da praia - paguei 5 reais por um Chicabon. Inacreditável. Também não comam camarão - é dor de barriga no palito. Mas adorei comer um açaí de primeira com morango e banana, vendida por um rapaz que traz tigelinhas prontas em uma bandeja. Recomendo!
A nossa primeira visita à Ipanema foi rápida, uma caminhada pela praia e depois uma conversa num quiosque beira-mar, regada a côco e caipirinha. Entre uma conversa e outra, olho por cima do ombro de minha colega e quase enlouqueço com o que vejo pela primeira vez. Lá longe no mar, um baita transatlântico da companhia italiana Costa, navegando tranquilamente. Acho que dei um grito - OLHA LÁ! OLHA LÁ! A galera deu um pulo e todo mundo ficou entusiasmado com a visão. Eu, mais ainda, pois é raro vermos esses navios aqui no RS; eu, pessoalmente, nunca havia visto um ao vivo assim. Câmeras a postos, foto, foto, foto!! Não deixamos de registrar esse momento, já que em breve estaremos morando em um navio daqueles por um bom tempo.

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